Novo portal do MPBA orienta como se proteger de golpes no ambiente digital

Novo portal do MPBA orienta como se proteger de golpes no ambiente digital
Novo portal do MPBA orienta como se proteger de golpes no ambiente digital
Novo portal do MPBA orienta como se proteger de golpes no ambiente digital
Novo portal do MPBA orienta como se proteger de golpes no ambiente digital

Ferramenta foi lançada durante evento que debateu prova digital e novas tecnologias

Com orientações práticas para prevenir fraudes, reconhecer sinais de golpes virtuais e saber como agir em caso de crime digital, o Ministério Público do Estado da Bahia lançou ontem, dia 26, o novo portal do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nucciber). A ferramenta, disponível para toda a população, foi apresentada durante o evento “Prova Digital e Novas Tecnologias: Investigação, Perícia e Cadeia de Custódia”, realizado no âmbito da reunião ordinária híbrida do Conselho de Procuradores e Promotores de Justiça com atuação na Área Criminal (Concrim). O portal reúne informações sobre os principais crimes praticados no ambiente digital, dicas de prevenção, formas de denúncia e conteúdos voltados à proteção dos cidadãos diante do avanço da criminalidade virtual.

Disponível no endereço nucciber.mpba.mp.br, o portal foi criado para ampliar o acesso da população a informações sobre segurança digital. Entre os conteúdos oferecidos estão explicações sobre diferentes modalidades de golpes e fraudes eletrônicas, mostrando como funcionam, quais os principais sinais de alerta e quais medidas podem ser adotadas para evitar prejuízos. O material também orienta os cidadãos sobre o que fazer caso sejam vítimas e como denunciar os crimes.

Um dos exemplos apresentados no portal é o golpe da "clonagem de WhatsApp. Nesse tipo de fraude, o criminoso obtém o número da vítima e solicita um código de verificação enviado por SMS. Após conseguir o código, passa a controlar a conta da vítima e utiliza o aplicativo para entrar em contato com amigos e familiares, geralmente pedindo transferências bancárias sob a justificativa de uma situação urgente. O portal alerta para sinais comuns desse golpe e orienta medidas preventivas, como ativar a verificação em duas etapas e nunca compartilhar códigos recebidos por SMS com terceiros. Também explica os procedimentos recomendados para quem tiver a conta comprometida.

Segundo o coordenador do Nucciber, promotor de Justiça João Paulo de Carvalho da Costa, a maior parte dos procedimentos atualmente em apuração pelo núcleo está relacionada a fraudes eletrônicas, estelionatos e crimes de ódio. Ele destacou que a prevenção continua sendo uma das principais estratégias de enfrentamento a esses delitos. “É preciso um agir mais atento, sem negligenciar regras mínimas de cuidado, como a checagem dos fatos, a confirmação dos contatos e das informações recebidas”, afirmou. De acordo com o promotor de Justiça, na maioria dos casos acompanhados pelo núcleo, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para conquistar a confiança das vítimas. Para preservar provas, o ideal é a utilização de programas ou aplicativos de materialização de evidências digitais, explica João Paulo da Costa, sinalizando que, quando não for possível utilizar esses mecanismos, a vítima pode realizar a captura de tela, gravações do dispositivo e conservar o equipamento no estado em que se encontrava no momento da ocorrência do fato criminoso. O ideal é procurar a Polícia ou o Ministério Público rapidamente com toda essa documentação a fim de que as medidas pertinentes sejam adotadas com a maior brevidade possível, alerta o promotor.

João Paulo Costa lembrou ainda que os crimes podem ser denunciados ao Ministério Público por meio do Disque 127 ou pelo canal de atendimento disponível em atendimento.mpba.mp.br/denuncia-geral. Além do portal externo voltado à sociedade, o Nucciber lançou uma plataforma interna destinada exclusivamente a integrantes do MPBA, reunindo conteúdos, metodologias e ferramentas de apoio às investigações relacionadas aos ilícitos cibernéticos.

Palestras

Na abertura do evento, o procurador de Justiça Adriani Vasconcelos Pazelli, presidente do Concrim, destacou a relevância do tema para a atuação institucional. A iniciativa aproxima a discussão teórica da prática cotidiana dos membros do Ministério Público, contribuindo para o aperfeiçoamento da atuação criminal. Também integraram a mesa de abertura do encontro a procuradora de Justiça Marly Barreto, o promotor de Justiça João Paulo Costa e o coordenador do Centro de Apoio Operacional de Segurança Pública e Defesa Social (Ceosp), promotor de Justiça Hugo Casciano Sant’Anna. Ele afirmou que a investigação criminal no ambiente digital representa uma das novas fronteiras para os sistemas de Justiça e de Segurança Pública e registrou que “o Ministério Público precisa se preparar para esse novo momento, desenvolvendo uma repressão qualificada que garanta a responsabilização de criminosos que tentam se proteger atrás das barreiras do ambiente virtual”.

A programação foi aberta com a palestra “Coleta e Armazenamento de Dados Pessoais: os Novos Paradigmas das Investigações Contemporâneas”, ministrada pelos promotores de Justiça João Paulo de Carvalho da Costa, coordenador do Nucciber, e João Paulo Schoucair, coordenador do Núcleo de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Nuel). Durante a exposição, João Paulo Costa observou que a proteção de dados no processo penal ainda é um tema que demanda maior regulamentação e destacou a necessidade de constante atualização dos membros do Ministério Público diante das transformações tecnológicas.

João Paulo Schoucair alertou para a dimensão do problema ao afirmar que, a cada quatro segundos, um brasileiro é vítima de golpe digital. Segundo ele, organizações criminosas passaram a ocupar de forma estruturada o ambiente virtual, tornando indispensável uma atuação especializada. O promotor de Justiça destacou a necessidade de estratégias capazes de promover a descapitalização dos grupos criminosos, a responsabilização dos envolvidos e o isolamento das organizações. Entre os desafios apontados por ele estão a preservação da prova digital, a cadeia de custódia, o rastreamento dos recursos provenientes dos crimes e o enfrentamento às narcomilícias.

O evento contou ainda com as palestras “Hash, Integridade e Autenticidade da Prova Digital: Aspectos Técnicos e Jurídicos da Cadeia de Custódia”, ministrada pelo promotor de Justiça do Ministério Público de Goiás e coordenador do CyberGaeco, Fabrício Lamas Borges da Silva; “Perícia Digital, Preservação da Evidência e Cadeia de Custódia”, conduzida pelo perito do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, Marcelo Antônio Sampaio Lemos Costa; e “Prova Digital e Cadeia de Custódia: Desafios da Investigação e do Processo Penal”, apresentada pela procuradora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Ana Lara Camargo de Castro. Os debates destacaram a importância da qualificação permanente dos profissionais que atuam no enfrentamento aos crimes digitais e da adoção de procedimentos que assegurem a validade e a integridade das provas eletrônicas.

Por MPBA