Testemunhas de Jeová mudam regra polêmica sobre doar sangue

Testemunhas de Jeová mudam regra polêmica sobre doar sangue
Pesquisa da Universidade Duke identificou seis moléculas no sangue que funcionam como um “termômetro” biológico do envelhecimento, ajudando a prever a saúde e a longevidade em idosos Crédito: Banco de imagem

Em uma atualização histórica de suas diretrizes médicas, a liderança global das Testemunhas de Jeová anunciou uma mudança na política sobre o uso de sangue. A partir de agora, os integrantes do grupo religioso estão autorizados a realizar procedimentos que envolvam a remoção, o armazenamento e a posterior devolução de seu próprio sangue ao corpo durante intervenções cirúrgicas pré-agendadas. As informações foram divulgadas pela CNN.

O anúncio foi realizado por Gerrit Losch, um dos líderes do corpo governante da organização, que enfatizou a responsabilidade individual na escolha dos tratamentos. "Cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos", afirmou Losch. Apesar da flexibilização para o sangue do próprio paciente, a proibição de receber transfusões de sangue doado por outras pessoas permanece inalterada e obrigatória para os cerca de 9 milhões de seguidores no mundo, sendo 900 mil deles no Brasil.

A base para a restrição continua sendo a interpretação de passagens do Antigo e do Novo Testamento que ordenam "abster-se de sangue". Segundo um porta-voz do grupo, a crença fundamental sobre a "santidade do sangue" não sofreu modificações, apenas a aplicação técnica em procedimentos específicos.

A medida foi recebida com ceticismo por ex-membros e especialistas em bioética. O americano Mitch Melon, ex-integrante do grupo, afirmou ao jornal Los Angeles Times que a mudança "não vai longe o suficiente". A principal crítica é que, em casos de acidentes graves com perda súbita de sangue ou tratamentos oncológicos infantis que exigem múltiplas transfusões, a nova regra é ineficaz, pois o paciente não teria tempo ou condições de armazenar o próprio sangue previamente.

Com a nova diretriz, espera-se que médicos e hospitais passem a oferecer com mais frequência opções de "cirurgias sem sangue" e técnicas de recuperação para pacientes do grupo.

Por Correio24horas